Entrevista com Júlia Giraldelli dos Gaviões da Fiel



Julia, para o que é ser Corinthians? Como foi o começo dessa loucura de torce para o Timão?

Ser Corinthians para mim é sentir na alma um amor inexplicável, um sentimento puro que só quem é Corinthiano sente isso.

Nasci Corintiana graças a Deus rs, mas conheci a torcida com 14 anos em 2009. Uma trajetória de muito amor pelo nosso Coringão.



E como foi seu primeiro contato com a torcida tão nova, lembra do sentimento?

Foi amor, foi a melhor sensação que já senti na vida. É um ambiente que me sinto bem, que esqueço de todos os meus problemas. Que me entrego, sinto um mix de sensações inexplicáveis ali apoiando o Corinthians.


E hoje em dia como é transparecer esse amor para sua filho?

Meu filho nasceu no meio de mãe, pai e família toda Corinthiana hahahhaa então foi algo muito natural já veio do berço tendo sangue de Gavião. Uma vez perguntei se ele torceria para algum outro time, e ele disse que não, que o coração dele já era do Corinthians. Ele é uma criança que torce e vibra muito também. Em dias de jogos, quando assistimos pela tv, aqui sempre fazemos festa, gritamos, torcemos muito, em família sempre!



E para você, como foi entrar e fazer partes por anos dos Gaviões?

Para mim é uma escola de vida, onde aprendi e continuo aprendendo muito, sobre o amor pelo Corinthians, sobre ter Lealdade, Humildade em primeiro lugar, e sempre seguir o Procedimento, correr pelo certo. Tem que ser um cara de parada, ouvir muito, falar nada e prestar muita atenção!


E hoje em dia como se adaptar a essa nova geração do futebol moderno?

- Eu sigo com os meus mesmos princípios de sempre. Respeito a nova geração e tendo me adaptar as coisas novas que o mundão trás pra nós. Mas sempre com muita postura e humildade, respeitando sempre á todos.


E para você, como ver cada vez mais a inclusão feminina na bancada esse aumento do números de minas na bancada? 

Isso é maravilhoso, ver nós mulheres a cada dia mais lotando a bancada, apoiando o Corinthians, dando nossa vida, levando nossos filhos, família. Acho que hoje em dia nós mulheres temos um papel fundamental na torcida, prezando sempre nossa postura, sabendo nosso lugar, respeitando as regras, isso tem que aumentar cada dia mais.


E você já passou por algum preconceito por ser de organizada?

Sempre acontece né rs. Já ouvi comentários sim,  de pessoas de cabeças fracas, pessoas inúteis. Que não sabem o peso de carregar um amor tão grande, que não entendem oque sentimos, mas sem sofro, eu aprendi muito ja na vida a não se importar com oque os outros falam. Sou o tipo de pessoa que hoje em dia, vivo como eu quero, vivendo as coisas que eu amo, e não se importando com nada hahahah


E a mentalidade da Julia dos Gaviões amadureceu muito com o passar dos anos na bancada?

- Muito, entrei com 14 anos, hoje tenho 29, com um filho de 11. Eu vivia de Corinthians, antes ia apenas com o dinheiro do ingresso e passagem kkk não me importava com nada. Hoje sendo mãe, não consigo ir em todos os jogos, tenho muitas responsabilidades, meu filho me acompanha quando pode, mas a cabeça muda, tudou mudou. Já fiquei 4 anos sem ir aos estádios, devido a maternidade, dando prioridade ao meu filho. Hoje com ele grande, ele me acompanha, tem esse amor pelo Corinthians como os pais dele, e assim vamos seguindo, tenho minha família que me acompanha também, isso é muito gratificante.


E você já passou algum perrengue por ser de organizada?

Sim, já presenciei muitas brigas na cidade, devido a torcida. O pai do meu filho era liderança na cidade, então eu sempre estava junto em todas ocasiões. E sou uma pessoa extremamente tranquila em relação a brigas, mas ao lado dele sempre, era a fiel escudeira hahahha hoje em dia nunca mais passei perrengue devido a torcida.


E como faz para a Julia se virar em 1910 e conseguir conciliar estádio, profissional e mãe?

A gente sempre arruma um jeitinho paras as coisas que amamos né? Hahaha. Tenho um apoio muito grande da minha mãe, que me acompanha em jogos também, mas que sempre fica com meu filho quando não podem estar presentes. É aquela correria, trabalho, escola, filho, dando sempre o meu melhor, fazendo sempre o possível. Não consigo acompanhar todos, mas quando estou presente, apoio e canto os 90 minutos, que é meu lazer, meu hobby, é o lugar que me sinto livre, me sinto bem!


E qual é a loucura que já fez pelo Corinthians?

Acho que foi na final da Libertadores em 2012, sai de casa era 14:00 da tarde destino Pacaembu, e voltei só no outro dia as 11:00 da manhã pra casa kkkkkk minha mãe e vó quase me mataram, só tinha 17 anos na época, minha mãe foi também, mas veio embora acabando o jogo. Foi um dia inesquecível na minha vida.

E o jogo mais inesquecível que você já vivenciou?

Sem duvidas a final da Libertadores, e nosso  título do Brasileirão de 2011 contra os imundos, são jogos inesquecíveis para mim.



Você viveu em muitos momentos do Corinthians Esse é pior na sua opinião O que está achando do momento dele?

- É lamentável, uma situação que precisa ser mudada imediatamente, jogadores que não tem vontade de jogar, diretoria sem comentários.. estamos em um momento extremamente difícil, mas tenho esperança que tudo vai mudar. Triste e lamentável.


E como você ver essa aproximação, dos Gaviões com o elenco

- Nós temos que pressionar, apoiar, somos a maior torcida desse Brasil, e sempre estaremos ali, em qualquer situação. O bando de loucos é inconfundível, é surreal a festa que fazemos em jogos, treinos.


Como você tá na caminhada já a algum tempo, hoje em dia qual conselho que você daria para uma mina que tá iniciando hoje na bancada, como se escolher a torcida? 

Acho que o respeito em primeiro lugar, saber se comportar, ter humildade. Nós temos um papel muito importante na torcida e é sempre bom ter mulheres cada vez mais se juntando a nós. 

Conta um pouco sobre o seu ciclo de amizade que se formou na bancada??

Eu começo muitas pessoas, mais amizades mesmo, são poucas. E essas levarei sempre em meu coração!


Quem são suas principais influências de bancada? 

Minha principal influência é meu ex namorado, pai do meu filho. Uma pessoa que me ensinou e me ensina muito até hoje. Entrei no Gaviões através dele. Hoje em dia não estamos mais juntos, mas frequentamos jogos juntos com o nosso filho e temos uma relação ótima, ele faz parte da minha família e parte da minha história com o Corinthians.


Qual foi o sentimentos mãe na primeira vez do seu filho em Itaquera, como foi o momento pra você? 

Foi um sentimento único, de amor, alegria e muita emoção! Ele amou, sentiu na alma o que é ser Gavião. Foi muito gratificante ver a pessoa que eu mais amo no mundo, no meu lugar preferido! 

Longe da bancada quem é a Júlia? 

- A Julia é uma mulher com um coração enorme, uma mãe responsável, trabalhadora e que tem muitos sonhos. 


Hoje em dia para a Júlia como é ver a PM e o MP brecando a maioria da festa na bancada? 

Isso é desde sempre, é uma guerra que eles sempre ganham. Não tem muito o que falar!

O que é ser um Gavião? 

Ser Gaviões é amar e lutar pelo nosso Coringão. É defender nossa bandeira, é não se importar pelo os que são contra. É uma vida de dedicação, é a nossa paixão pelo Sport Club Corinthians Paulista. 

Conta um pouco para nós sua rotina em dia de jogos? 

Em dias de jogos eu sempre não consigo dormir direito à noite. Eu fico muito ansiosa, parece sempre que é meu primeiro jogo hahahah. Maioria das vezes vamos de trem, então saímos aqui da cidade de manhã, e chegamos a noite, é um role bem cansativo, mas que eu amo e pra mim sempre vale a pena.

E para finalizar, conta um pouco da caminhada da Júlia desde quando entrou nos Gaviões?

Entrei uma menina, hoje mulher e mãe. Minha caminhada sempre foi de muita dedicação, de muito amor pelo clube, não me arrependo de nada, sou extremamente feliz por toda essa trajetória que o Corinthians me proporcionou, muitas histórias para contar aos meus netos, muitos momentos incríveis e tristes também que já vivenciei, e muito a aprender e a ensinar nessa vida. E vamos seguindo né, vivendo, apoiando e nunca, em hipótese nenhuma abandonar o Corinthians...

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