Entrevista com a Jornalista " Carolynthians"
De onde veio o amor pelo Corinthians?
- Parece até clichê falar que seria por conta de vir de uma família Corinthiana, mesmo que isso influencie muito. Mas eu acho que ser Corinthians é mais que isso, desde que eu me conheço por gente digo ser Corinthians. Mesmo muito criança e não entendo muita coisa da vida, eu já tinha certeza desse amor. Então eu posso dizer que o meu amor pelo Corinthians veio desde antes deu nascer.
E agora me fala sobre sua futura profissão, como se imagina no jornalismo? Já na educação física?
- Sempre fui uma pessoa muito comunicativa, desde criança fui muito curiosa e amava perguntar muito, então não foi muito difícil me encontrar nela. E minha paixão por acompanhar esportes só me alimentou mais. A educação física é um diferencial que eu quero ter, sempre pensei “como falar sobre esportes, sem entender sobre condicionamento físico”. Minha vontade na minha profissão é ficar cada vez mais próxima disso que me faz bem, viver disso na mesma intensidade que eu vivo tudo que eu amo. Então eu me imagino muito feliz!!!
Hoje em dia como é para você, ver um estádio com mais de 40 mil pessoas apoiando o futebol feminino que já chegou a ser proibido em solos brasileiro e hoje seu time é o maior da história da América do Sul, como é o sentimento feminino vendo isso?
- É algo que me deixa super feliz. Sou uma mulher e quero trabalhar com jornalismo esportivo, essa visibilidade da mulher no esporte, principalmente no futebol, me dá um incentivo enorme. Querendo ou não, ainda é um cenário muito machista, mas que aos poucos está sendo mais bem-visto. E ver o time que eu amo ser referência nisso, NÃO TEM PREÇO! é a torcida abraçar isso junto torna mais especial!
E você, como tem um número legal de seguidores, deve sofrer com o “hatters”, como é lidar com eles, já passou por alguma situação chata com eles?
- Os hatters vem por duas questões, por ser mulher e por ser Corinthiana. Mas a questão do Corinthians eu sou bem resolvida, é uma tremenda HONRA ver a galera se mordendo pelo simples fato do meu time existir KKK agora algo que às vezes me irritar é tirarem mérito das minhas coisas quando percebe que o perfil é de uma mulher. Logo no começo do perfil eu me importava demais e fazia questão de olhar comentário por comentário das minhas postagens. Hoje eu posto e deixo lá, percebi que procurar a validação das pessoas me deixaria doente. Já teve situação deu bloquear pessoas por comentários bem desnecessários, até hoje se eu olhar as solicitações de mensagem vou encontrar mensagens para me por para baixo. Eu aprendi a lidar ignorando, sei do meu potencial para chegar onde eu quero.
E já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher e falar de futebol? E se sim como se resolveu com esse tipo pessoas?
- Já sofri muito ataque pelo simples fato de falar que sou torcedora de um time, seja ele qual for. Tanto que muito dos projetos que eu tenho ainda não foram iniciados, eu tento muita das vezes não ligar, mas é algo que querendo ou não desanima muito. Eu gosto muito de analisar formação tática, de estudar a carreira dos técnicos que vão assumir o time e quando tentei falar sobre, escutei que não era meu lugar de fala por mulher não entende para ser “técnica de futebol”. Tento tirar esse cadeado da minha mente e fazer mais daquilo que me faz bem, é bem difícil, eu vou só tentando ignorar essas pessoas ou usar de impulso para mostrar que eu posso.
E hoje em dia, como a Carol jornalista se blinda em questão a isso?
- Às vezes quando me bate o desânimo eu penso em seguir no jornalismo esportivo, mas não necessariamente na área de futebol. Mas eu coloco na minha cabeça que se todas pensarem igual, não vamos viver daquilo que realmente queremos. Eu me blindo pensando nas próximas mulheres que também sonham com isso, mostrar para todas que o jornalismo está para todos. O que me blinda é as mensagens das meninas no meu Instagram dizendo que também querem seguir na área. Eu me blindo colocando meu sonho na frente de toda a negatividade que eu esbarro.
O que impulsionou você a fazer a Tatoo?
- Eu fiz a tatuagem quase no final de 2023, o Corinthians estava em uma situação complicada na tabela do brasileiro. E muitos rivais me falavam que Corinthians iria cair para a série B e que meu amor pelo time se esfriaria pela situação atual do time. Na época eu não tinha nenhuma tatuagem, eu fiz porq independentemente da situação, eu sou Corinthians e isso não iria mudar e não vai mudar. Fiz a tatuagem dizendo que o Corinthians não iria cair e que isso só me aproximaria mais ainda e foi o que aconteceu. Não me arrependo.
E a tatoo já sofreu algum tipo de retaliação por ela? Família, trabalho?
- Com a minha família, não. Mesmo sendo já maior de idade eu ainda tenho costume de sempre avisar meus pais sobre as minhas decisões, então já sabiam que eu iria fazer e não foram contra em nenhum momento. A questão do trabalho acredito que eu dei a sorte de ter tido patrão Corinthiano também KKK Mas, no jornalismo pode ser que isso seja um impasse em algum momento (ou não) estarei pronta para possivelmente ter que trabalhar com uma blusa mais longa, mas acho que não vai ser algo que vai me impossibilitar de estar na área, vai mais da questão de como eu sou flexível para entender que cada ambiente é um ambiente diferente.
E mano, para você como é a inclusão feminina dentro de um torcida organizada?
- A inclusão feminina em torcidas organizadas no meu ponto de vista pode variar muito dependendo da torcida e do contexto. Em muitos casos, as torcedoras enfrentam desafios ligados ao machismo, como a desvalorização de suas opiniões e o preconceito( não falo só dentro da torcida esse preconceito, mas vezes vem da sociedade ou até mesmo da família) … Mas, há um número crescente de mulheres ocupando espaço e sendo ativas nessas torcidas, quebrando esses estereótipos e lutando por igualdade de voz e respeito. Acredito que o mundo tem mudado muito em relação ao “lugar da mulher”, é difícil mas é um passo de cada vez, assim como foi para entenderem que o futebol feminino também merecia mais reconhecimento…
E hoje em dia, como é essa escolha, quais pontos de vista você acha que uma pessoa tem que levar em conta para entrar?
- As torcidas organizada, PRINCIPALMENTE as do Corinthians, lutaram muito para ter o reconhecimento que tem hoje. Mas hoje a galera acha que é festa, por conta do alto número de cambistas nos estádios, as pessoas estão recorrendo a serem de torcida organizada apenas para ter acesso a preço acessível no ingresso. Não deveria ser assim, eu acho que para fazer parte tem que entender qual o significado de fazer parte daquela TO, não é uma escolha qualquer representar uma torcida seja ela qual for.
Hoje em dia qual tua visão sobre o atual momento do Corinthians?
- É complicado falar do atual momento do Corinthians, até porq o que estamos passando hoje é consequência de anos de má administração e nessa fase só se confirmou que a torcida é o fator principal do time, é triste ver o time nessa situação, mas vai melhorar. É apoiar e entender que as coisas não vão se corrigir do dia pra noite.
Qual o jogo mais marcante da sua vida?
- Eu vou falar um aqui, pela história que esse jogo teve e eu estive no estádio. Que foi o aniversário do Corinthians de 113 anos, que teve o jogo com os jogadores antigos contra o Real Madrid, não foi um jogo sério mas eu gostei da experiência.
Como você ver essa evolução de modernidade no futebol?
- A modernidade no futebol ao meu ver ter seus pós e contras, o bom é que temos sistemas de streaming que ajudam nas transmissões, hoje vc consegue identificar o desempenho de um jogador para entender lesões. Os contra é que o VAR que deveria vir para ajudar, mais atrapalha. O verdadeiro futebol foi ofuscado pela busca em ter mais lucro e as partidas viraram militâncias, não pode mais nada…
Qual jogo mais marcante do Corinthians que tu nunca se esquece?
- Vou falar de um jogo recente, porq assim até a nova geração vai saber qual partida foi. Copa do Brasil 2023, chegamos perdendo do jogo de ida de 2x0, para resolver em casa, fizemos 2x0 na volta (neo química arena) com aquele gol INACREDITÁVEL do Roger Guedes e ganhamos nos pênaltis. Tem jogos mais marcantes na história, mas de jogo recente eu colocaria esse.
Quem é Carol fora do mundo “ Corinthians “
- A Carol fora do mundo Corinthians? Difícil se auto descrever KKK sou uma pessoa que gosta de fazer piada sem graça, sou uma pessoa que ama acompanhar UFC, gosto de um mundo geek (não vale me rotular de nerdola KKK) eu gosto de dançar, uma pessoa muito fácil de lidar..
Hoje em dia como para a Carol, o que é ser Corinthians?
- Ser Corinthians na minha visão é ser doído. O time em uma situação delicada e enchendo estádios, me arrepia todas as vezes eu penso. O corinthianismo é um sentimento de pertencimento, onde o time se torna quase uma extensão da vida do torcedor. É um orgulho em ser parte dessa massa apaixonada, seja nos estádios, nas ruas ou nas celebrações, como a inesquecível vitória da Libertadores em 2012. É carregar consigo o lema "Vai, Corinthians!" como uma forma de enfrentar os desafios, sempre acreditando até o último minuto, independentemente das adversidades. É ser Corinthians! Inexplicável.
Conta um pouco da sua rotina em dia de jogos?
- Minha rotina em dia de jogos, começa quando eu acordo. Todas as vezes que é dia de estádio parece que é a primeira vez, ficou com o coração acelerado até o horário do jogo. Sou de Guarulhos, tenho que sair umas 2h antes, para pegar o metrô e chegar no estádio. É um cansativo que nem vemos, chegar lá e encontrar os amigos, fazer a pré antes de entrar e depois apoiar 90min e voltar pra casa bem cansada e ficar ansiosa esperando a próxima.
Conta uma resenha de estádio que não pode faltar né? Mas aquela braba mesmo.
- Eu vou falar uma que nem foi na neo química. Teve um jogo do paulista, São Paulo x Corinthians no Morumbi, eu trabalhava em uma empresa onde metade era corinthiano e metade são Paulinos e eles queriam assistir o jogo, todos juntos, marquei minha presença e não me atentei a local. Paguei minha parte para um deles (coisa de 40 reais), no dia avisaram no grupo “gente não esquece de ir de camisa neutra ou vermelha”, e eu todo esse tempo pensando que iríamos ver em algum barzinho ou restaurante que pagava para entrar e eles queriam ir neutro para não arrumar confusão. No caminho que eu me liguei que estávamos indo para o Morumbi assistir de infiltrados. E eu só pensava “oq estou fazendo aqui? Como vou explicar isso? Vou fingir que nada aconteceu”, no jogo postaram uma foto e eu estava na foto, já comecei a recebe ligações perguntando o que eu estava fazendo no meio da torcida do São Paulo e tls.. eu no meio do jogo virava para a torcida falando “nossa mas esse São Paulo tá ruim hoje em” e a torcida concordando achando q eu era torcedora também KKK foi resenha pura lá dentro, tentando não comemorar os gols e no final o Corinthians ganhou de 2x1 e eu saí pulando de alegria, mas morrendo de medo de encostar no meu celular e ter algo do Corinthians como papel de parede e etc KKK
E para fecharmos, como você encorajaria uma mina que quer começar a frequentar a bancada alvinegra? Conselhos você daria para ela.
- Sei que muitas ficam receosas por achar que vão estar sozinhas, no começo já fui em alguns jogos sozinha e eu digo com propriedade que onde tem corinthiano vc nunca está sozinho. É chegando lá e sentindo, a energia vai te fazer querer ficar e voltar mais vezes. E se alguma estiver com algum receio, pode me chamar que vai ser um prazer ser companhia nos jogos.


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