Entrevista com David o “Visitante da Fiel”




Mano, de onde surgiu a ideia do visitante da fiel?

- Numa conversa sobre: se você fosse ser influencer, do que seria? Daí comentei com um amigo, que deu a ideia do nome Visitante Fiel, e na hora eu já criei a página pra segurar o nome. Hahaha


Como que é o sentimento de Corinthiano, sendo referência para muitas pessoas, e podendo conhecer culturas, pessoas de outros lugares?

- Sempre bom poder ajudar, ainda mais depois de ter passado pelas dificuldades que é comprar ingresso e assistir jogo fora. Nunca ninguém ajudou, nem o clube que deveria dar esse respaldo pro torcedor que quer assistir jogo fora. É meio louco ainda quando alguém pede pra tirar foto, ou vem e me agradece pelas dicas. E Corinthiano tem em todo lugar do mundo, é muito legal conversar com pessoas de longe e que vivem o Corinthians de uma maneira diferente. Os jogos fora me fizeram conhecer muitos estados, gastronomia e culturas diferentes, é muito louco como os Estados são diferentes, principalmente culinária!


E essa diversidade que tem no país, para você qual o estado mais top que você foi, que foi mais fácil de vc se adaptar a comida e as pessoas, e qual o mais difícil? 

Gosto muito de Belém e da Bahia, culinária um pouco diferente e povo extremamente hospitaleiro, mas o meu estado preferido sempre vai ser Minas Gerais, tanto pelas pessoas quanto pela comida. O mais difícil pelas pessoas eu acho o sul, Curitiba e Rio Grande do Sul. As pessoas são mais frias que nos outros estados.


E mano, como é o planejamento das viagens? Você já se programa assim que sai o calendário oficial?

Normalmente dou uma olhada quando sai, mas a CBF sempre muda alguma coisa. Daí quando oficializa o dia eu corro atrás de passagens e fico de olho nas aberturas das vendas. Utilizo alguns sites que monitoram preços de passagens aéreas pra comprar quando abaixa o valor. E quando a viagem é mais perto de SP, vou de ônibus mesmo.


E mano, fala um pouco do seu trabalho na central do timão? 

Comecei a trampar cobrindo jogos fora pra eles, daí comecei a fazer base, feminino e profissional masculino. Alguns jogos fora eu consigo ir credenciado e assistir o jogo na arquibancada, daí consigo conciliar os dois, a coletiva com a zona mista e a experiência de bancada


E mano, qual jogo mais ficou marcado na sua vida como visitante?

- Negativamente o jogo contra o Remo em 2022, que teve a morte com bomba antes do jogo, e a revista pra entrar no estádio era nula. Positivamente eu gostei de conhecer La Bombonera, pelo folclore, porque o estádio em si é bem ruim, e o último jogo com o Grêmio no Couto Pereira passando nos pênaltis. De imprensa fora, o 2x2 com os porcu, gol do garro com 2 a menos, GH no gol, foi absurdo.


E a recepção na Argentina, como é? O povo argentino, a culinária? Dançou um tango também? Kk

A Argentina mudou muito esse ano, até ano passado era muito barato pra brasileiro, e eles tratavam super bem os turistas. A polícia pro estádio nem tanto, a escolta é feita pra prejudicar a entrada, a revista é bem pesada também. 


E mano, como é ver seu conteúdo inspirar pessoas?

É muito louco e gratificante ver as pessoas falando que tinha medo de ir em jogo fora, que não sabia onde comprava ingresso, e que agora conseguiram ir por causa da página. E as pessoas de fora também,  que não sabem onde vende ingresso pro jogo na cidade deles, e com as dicas eles conseguem comprar e ir ver o time pela primeira vez. 

E hoje em dia mano, o que toda essa cultura te agregou na sua vida pessoal ? 

Bancada é uma aula da vida. Ali todo mundo é igual, branco, preto, rico, pobre, todo mundo se abraça na hora do gol, todos estão juntos numa mesma voz, ninguém é mais do que ninguém. Essa vivência de jogos te traz uma visão de unidade, que cada um tem seu papel e faz a diferença. É muito louco que tem jogo que a gnt sabe que a bancada que buscou o empate ou a virada. Acho q essa visão de "juntos somos mais fortes" e de acreditar até o último minuto é uma das coisas que eu levo pra vida. Quem nunca antes de entrar pra uma entrevista de emprego, não fechou o olho e falou: Vai Corinthians! Hahaha



Pode comentar um pouco do seu ciclo e amizade que o Corinthians lhe deu?

Hoje minhas amizades são na maioria de torcida mesmo. É o ambiente que eu mais estou presente, acabo tendo mais contato com pessoal do Corinthians do que minha família. E o lado bom é que esses amigos entendem todo esse amor pelo clube e a motivação de viajar sempre atrás do Coringão.


Teve alguma viagem, ou algum momento com alguém que marcou sua vida? 

Minha primeira viagem internacional, contra o Boca na Argentina. Além de ter a experiência fora do país, foi num estádio que tem toda uma mística por trás. E tem também o último jogo com meu pai no estádio, em 2010, 5x1 no Goiás. Na hora foi só mais um jogo, mas hoje eu tenho um carinho especial por ele.

De onde surgiu esse amor pelo timão?

Meu pai sempre foi muito Corinthiano, cresci com ele me levando pra estádio quando dava e assistindo jogo com ele em casa pela TV. Ele não era tanto de ir pra estádio como eu, mas foi quem me ensinou a ser Corinthians desde o berço.



Hoje em dia qual é o sentimento de entregar tudo pelo Corinthians e os jogadores não entregarem nada pela gente?

É complicado, ainda mais estando ali em algumas coletivas e zonas mistas. Já tomei algumas broncas por perder um pouco a linha, porque é difícil, tem hora que o sentimento de torcedor é muito maior do que qualquer outra coisa. O que me incomoda é que eles não têm ideia do quanto o torcedor sofre e gasta pra estar lá presente, caravanas de dias pra ver o time, e os caras não conseguem dar o mínimo dentro de campo. Só o que queremos é raça e entrega.


E mano, como é trabalhar como jornalista? 

Aconteceu do nada. Nunca imaginei estar nessa posição. O começo é diferente, você conversa e entrevista os jogadores que você nunca imaginou ver de perto, mas com o tempo você acaba perdendo até algumas idolatrias por certos jogadores. Este mundo acaba tendo altos e baixos, estar mais perto do clube e dos jogadores é muito bom, mas ao mesmo tempo, depois de um resultado negativo é bem complicado, você quer tirar satisfação como torcedor mesmo, e não pode.


E para finalizar man, hoje em dia como você aconselha alguém que vai em jogos fora, o que ele deve ter em mente?

- Muita gente acha que jogo fora é "Disney", mas normalmente é perigoso e precisa de atenção, alguns mais outros menos. E foi com essa ideia que eu decidi criar a página, para ajudar as pessoas a comprar o ingresso e chegar em segurança no setor visitante.

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