Entrevista com Tati da Fiel Macabra

Hoje aqui no bancada em foco eu trago para vocês mais que uma entrevista e sim também uma apresentação da nossa querida Jornalista e torcedora do Corinthians Tati da Fiel Torcida Macabra, além de uma bagagem de organizada desde de 2008 nessa caminhada ela também chega para somar como uma das ADMS e óbvio que não poderia faltar sua história e ela esteve presente no trágico acidente que levou nossos 7 irmãos de bancada e conta como ficou seu psicológico "Assim que ocorreu, nossos pensamentos eram “vai ser uma coisa rápida, logo iremos embora”. Porém, depois de eu ter ido lá ver a gravidade a ficha foi caindo e passava diversas coisas na cabeça." 
Tati também fala como foi sua transição dos Gaviões da Fiel para a Macabra "Vim para a Macabra recentemente, menos de dois anos, não teve nenhum motivo específico pela transição, pelo contrário, tenho um grande carinho e respeito pelos Gaviões da Fiel."

Por Alex Sousa 


Confira esse bate papo na íntegra ⤵️ ⤵️ ⤵️ 


Hoje em dia, qual é sua visão ainda as torcidas organizadas? 
- Torcida organizada é quem vai apoiar o time dentro e fora de casa, é quem viaja o mundo pra ver o clube jogar, não importa se está sol, se está chovendo, ela sempre estará lá pra incentivar, na vitória ou na derrota. Torcida organizada é aquela que sempre estará ali em prol do time. Vai cobrar quando necessário e comemorar nas melhores ocasiões. 

Torcedor organizado são aqueles irmãos/irmãs de arquibancada que deixam de comer, deixam a família em casa pra ir acompanhar o time, independente da distância e se passará dias nas estradas sem nem 1$ no bolso. Ser integrante de torcida organizada é abrir mão de festas em família e de momentos de lazer.

É amar e defender o time acima de qualquer ocasião. 

Infelizmente sobre o acidente que houve a fatalidade dos nossos irmãos ano passado, voltando de BH, você disse que estava no busão de trás, como foi para você saber a notícia? Chegou a ver o momento do acidente? 
- No momento em que ocorreu o acidente, ninguém tinha noção da gravidade. Me recordo que uns três irmãos da Estopim desceram do ônibus em que estávamos para ir até o local. Ao voltarem, um deles avisou desesperado que tinha torcedores que não haviam aguentando os feridos e falecido ali no local mesmo. O momento em si do acidente eu não vi, fui até o local exato em que ocorreu alguma minutos depois.

Como ficou o psicológico pois acidente? 
Assim que ocorreu, nossos pensamentos eram “vai ser uma coisa rápida, logo iremos embora”. Porém, depois de eu ter ido lá ver a gravidade a ficha foi caindo e passava diversas coisas na cabeça. Poderia ter sido qualquer um de nós ali. Quantos não deixaram as famílias em casa avisando que voltariam para o almoço de domingo?


Qual a influência da sua, quando se fala de Corinthians? 
- Ah, sem dúvidas alguma meu amigo/ padrinho foi e é uma das minhas grandes influências quando o assunto é CORINTHIANS PAULISTA. O Wagner foi quem me levou a primeira vez na quadra dos Gaviões lá em 2006. Vivemos grandes momentos juntos em prol do nosso CORINGÃO, independente da fase e tenho certeza que temos muitas coisas ainda para guardar na lembrança.
Você que já foi dos gaviões, como foi essa transição para a macabra? 
- Vim para a Macabra recentemente, menos de dois anos, não teve nenhum motivo específico pela transição, pelo contrário, tenho um grande carinho e respeito pelos Gaviões da Fiel, sempre que posso estou na sede com minhas amigas/amigos.

O que a Fiel Macabra tem de diferente que chamou a sua atenção? 
- A Macabra me acolheu de todas as maneiras possíveis. Como minha avó costuma falar “A torcida virou sua família, Tatiane”. Neste momento, estou começando a acreditar que é verdade kk. Existe cobranças, puxões de orelhas e diversas outras coisas que já estamos acostumados e é comum em outras torcidas também, mas acima de tudo o respeito e a união falam mais alto. Quando foi para eu me associar isso me chamou bastante atenção. Aliás, minha primeira caravana foi exatamente com a Fiel Macabra. Sou grata demais por todas as oportunidades e momentos que já vivi com todos da “Maior do Interior” até aqui e espero ter muito mais histórias para contar.



Fala um pouco do seu ciclo de amizades que a organizada lhe trouxe?
-  Digamos que meu ciclo de amizade hoje é 70% torcedores organizados. Um pouco de cada torcida do Corinthians. Aliás, praticamente todas as amizades ali foram criadas em dias de jogos, festas de torcida, algum evento, caravanas ou etc,. Além disso, o Corinthians me trouxe grandes amizades para o dia-a-dia, para a vida e para qualquer ocasião.

Hoje como é para você já sua profissão ser imparcial? Deixando o clubismo de lado? 
- Hoje eu já consigo separar bastante, mas no início era complicado. Nem sempre eu estava de acordo com matérias/informações que eram passadas e tinham que ser feitas, principalmente quando o assunto era relacionado ao Corinthians ou as torcidas organizadas. Eu tentava e tento de todas as formas dentro do possível, mostrar a realidade das coisas que acontecem.


Quais os aprendizados que o jornalismo lhe trouxe? 
- Nossa! O jornalismo me fez amadurecer e se policiar de todas as formas. Hoje em dia eu penso mil vezes em postar, publicar algo em minhas redes sociais devido a profissão, mas também foi fundamental para conhecer outras áreas e pessoas essenciais no meu crescimento. 

Hoje em dia qual é sua visão sobre o aumento do público feminino nas organizadas e o que falta ainda? 
- Positivo e super de acordo. Acredito que a mulher vem ganhando espaço em muitos lugares e não seria diferente na bancada. Todas que me perguntam e falam que tem curiosidade em fazer parte de uma torcida organizada, eu incentivo à ir a fundo. Porém, mesmo com o avanço precisamos de mais meninas/mulheres, presentes nos jogos, caravanas. Sei que em cada torcida existe suas regras e regalias, mas isso não é um bloqueio para afastar as “minas” da bancada.

Com tantos anos dentro da organizada, o que mudou da Tati que ingressou lá nos gaviões em 2007 para a de hoje em dia? 
- Uma revolução. Como dizem por aí “Torcida Organizada é a verdade faculdade da vida”, e eu acredito e vivencio demais isso. Aprendi e aprendo a cada dia com todos que estão ao meu redor, do presidente ao associado. Tudo que passamos ali é um aprendizado, seja coisas ruins ou coisas boas, vai de cada um o caminho que deseja seguir.

Como foi para ti, pegar o pior momento do Corinthians e o melhor?
- Agradeço demais aos envolvidos por me presentear no meu aniversário com aquele jogo em 2008, entre Corinthians x America - RN. Ali, era o pior momento do Corinthians em sua história, e mesmo assim a fiel torcida se fazia presente apoiando e incentivando o time. Posso dizer que foi naquele momento que a paixão pegou de verdade, estava completamente decidida do meu time. Essa partida também ficou marcada pois entrei com os jogadores, graças a minha mãe. 
Já em 2012, que momento vivia o nosso CORINGÃO, é de arrepiar todas as vezes que lembro de cada jogo, de cada minuto.

Como é essa adaptação ao futebol moderno? 
- Horrível! Graças a Deus eu tive ainda a oportunidade de acompanhar partidas no Pacaembú, onde existia chão, vibração, adrenalina era completamente diferente dos dias de hoje.

Como você enxerga essa nova geração? 
- Horrível! Graças a Deus eu tive ainda a oportunidade de acompanhar partidas no Pacaembú, onde existia chão, vibração, adrenalina era completamente diferente dos dias de hoje.

Hoje em dia, para você o que falta para uma união das torcidas do Corinthians?
- Claro! Seria um sonho ver a arena em um só tom de voz e ritmo, mas acho que isso é uma situação delicada e difícil de ocorrer hoje. Cada uma das seis torcidas tem suas ideologias e pensamentos a serem seguidos. Não vou falar que é uma coisa impossível, pois todas estão pelo nosso bem maior e motivo da existem de cada uma o CORINTHIANS, porém acredito que isso não é uma coisa que vá acontecer, pelo menos não por hora.

Hoje em como você enxerga essas proibições do MP E PF sobre a festa da Bancada? 
- Queria poder viver a época de 90 onde tudo era liberado e ocorria a verdadeira festa nas arquibancadas. Meu pai por diversas vezes relembra esses momentos e fala que são lembranças que não ocorrerá nunca mais. Meu sonho é poder acompanhar um jogo do Corinthians como visitante com a presença das duas torcidas nos estádios, mastros e bandeiras espalhadas pelas organizadas. Infelizmente, são coisas que se tornam cada dia mais complicadas de se acontecerem novamente.   

Quem é a Tati fora da bancada? 
- A Tati fora da torcida (quase raro), é aquela que sempre faz de tudo para estar com a família. Ama viagens e conhecer culturas novas. Busca sempre estar por dentro de assuntos relacionados a profissão e se coloca à disposição para ajudar o próximo.


E como é o ciclo familiar da Tati em relação dela em uma organizada? 
- Meu pai sempre me incentivou a seguir meus caminhos pelo meu time, mesmo ele sendo meu maior rival em campo. Cresci ouvindo diversas histórias dele em “barcas” pelo Brasil e principalmente conselhos. Quando resolvi fazer a faculdade de jornalismo esportivo, ele foi o primeiro a me apoiar pois sonhamos com um dia eu realizando a cobertura de um MAJESTOSO. 
Por outro lado, minha mãe sempre teve medo, ela assim como diversas mães acreditava no que acompanhava na mídia, a visão dela era que torcida organizada era pura violência, agressão e drogas. Diga-se de passagem, que lá em 2008 quando ela me associou aos Gaviões, foi mais para provocar meu pai kk.
Como nem tudo na vida é como desejamos, após o acidente em agosto do ano passado com um dos ônibus da torcida, minha mãe não teve outra escolha além de começar a me acompanhar nos jogos. Segundo ela, esse seria o único meio de estar por perto e me acompanhar nessa grande loucura. Hoje, ela também é sócia da Macabra e sempre que possível está na arena comigo.


E para finalizar, qual o conselho que você daria para uma pessoa que está frequentando agora a bancada, ou um estádio pela primeira vez?
- Vá mesmo, vá sozinha, vá torcer pelo seu time do coração, vá realizar seus sonhos. Amigos? Vocês fazem lá no estádio, não tem nada melhor que comemorar um gol com um desconhecido do seu lado. Assim como pra mim, o estádio e a torcida pode ser um refúgio para vocês também.

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