Entrevista com a Gabi


HOJE NO BANCADA EM FOCO, PARA VOCÊS APRESENTO A GABI, CORINTHIANA FANÁTICA NEGRA COM ORGULHO E FREQUENTE DE ESTÁDIO DESDE 2018 ONDE FOI PELA PRIMEIRA VEZ ANTES DA PANDEMIA, PORÉM FOI EM 2021 QUE A HISTÓRIA DELA COMEÇOU A SER ESCRITA NA ZONA LESTE, E HOJE TRAGO A VOCÊS UM POUCO DE SUA HISTÓRIA DE AMOR PELO CORINTHIANS, A DESIGNER DE SOBRANCELHA FALOU TAMBÉM SOBRE SEUS PROJETOS, E ÓBVIO AQUELA RESENHA ALVINEGRA. 



Gabi, de onde surgiu esse amor pelo Corinthians? 
- Essa história é bem curiosa. Meu amor pelo Corinthians surgiu em 2007, quando o Corinthians foi rebaixado. Eu sei que isso é bem estranho. Na época eu tinha 12 anos, eu podia muito bem falar que não ia mais assistir futebol, que não ia perder meu tempo, mas foi ali que começou meu fanatismo, a minha loucura e meu amor pelo Corinthians, e comecei a acompanhar todos os jogos pela TV, rádio, internet. Não passou pela minha cabeça abandonar ou deixar de apoiar, pelo contrário, só fez aumentar a minha paixão pelo time.

Hoje em dia na sua opinião, Corinthians prestes a bater 1 bilhão de receita bruta, o que tu acha que faltou para a gente ganhar títulos nessa gestão do Duílio? 
- Competência por parte da diretoria e dos jogadores. A gestão do Duílio deixou a desejar por vários fatores, principalmente contratações de técnicos e jogadores. Isso refletiu dentro de campo, desempenho foi super abaixo do que esperávamos, vimos uma equipe desorganizada, sem criatividade, com muitos erros individuais, enfim, isso fez com que deixássemos escapar as outras competições e nos encontrar na parte perigosa da tabela do Brasileiro.

Hoje em dia qual é o maior desafio feminino numa bancada de estádio? 
- Acredito que conquistamos o espaço na bancada. Cada vez mais mulheres estão indo aos jogos, mas ainda há situações constrangedoras que passamos e ouvimos por conta do machismo. 

Conta um pouco sobre a Gabi fora do estádio? 
- Eu gosto muito de estar com a minha família, com as minhas afilhadas. Sou muito tranquila, amo ficar em casa assistindo filmes e séries, meu rolê é apenas ir aos jogos do Corinthians e fazer um pré e pós na 011 kkkk
Sou formada em Técnico em Estética e sou micropigmentadora de sobrancelhas, sou muito apaixonada pelo que eu faço. 

Qual é o sentimento de acompanhar o Corinthians de tão perto?
- É uma das melhores sensações da vida. Eu digo que todo mundo deveria ter a oportunidade de ir ao estádio e assistir a um jogo com a nossa torcida. A atmosfera é outra, é uma emoção sem tamanho, apoio incondicional em todo tempo. Eu amo fazer parte de tudo isso. 

Possui alguma superstição em dia de jogos do Corinthians? 
- Sempre uso manto preto e evito ver cobranças de pênaltis kk

Para você quem são as pessoas que mais te apoiam em frequentar uma bancada? 
- Meu namorado. Ele sempre está comigo nos jogos e desde que nos conhecemos, frequentamos a NQA e a nossa paixão pelo Corinthians nos uniu ainda mais. 

Sabemos que a arena tem de 30% a 40% de setores mais em conta, e sabemos que de origem somos o time do povo, acha que com aumento das arquibancadas norte e sul, da para baixar o ticket médios e deixar ingressos na base populares? 
- Pior que depois de todos esses anos, diminuir o ticket médio não é o ideal, mas falando de uma forma mais direta, o clube pensou mais no bolso (como sempre) do que atrair a torcida para dentro da Arena. Eu sou a favor de aumentar a capacidade dos setores Sul e Norte, pois muitas pessoas deixam de ir aos jogos por conta dos valores abusivos dos ingressos nos demais setores do estádio. Cabe à próxima gestão criar uma estratégia para que tudo seja feito da melhor maneira, tanto pro clube, quanto pro torcedor. 

Tem algum momento que o Corinthians te fez pensar de uma forma diferente? 
- Esse ano, pqp, acaba, pelo amor de Deus kkkkkk


Gabis, como você enxerga as organizadas? De uma visão de quem hoje não faz parte de nenhuma? 
- Eu enxergo como a alma do futebol raiz. Ao contrário do que a mídia mostra, pra mim, as organizadas são família, lar, coletividade e comprometimento. Eu admiro muito o trabalho que eles fazem dentro e fora do estádio.
Conta uma resenha que você teve em dia de jogos? 
- No jogo de volta contra o Atlético Mineiro foi muito louco. A resenha começou antes mesmo da partida. Eu, meu namorado e minha amiga Camila estávamos aguardando o busão do Corinthians para fazer a recepção. No momento em que a torcida começou a cantar e fazer a festa, uma cortina de fumaça preta veio sobre nós, não dava pra enxergar nada, geral começou a correr para se afastar, foi doideira, quase morremos sufocados kkkk daí já podíamos esperar que a noite ia ser louca.
O jogo foi muito emocionante, foi para os pênaltis e, é claro, vi nenhuma cobrança kk e deu certo, passamos de fase.

A América do Sul, tem as origens bem oposta da Europa porém de uns tempo para cá, estamos vendo cada vez mais o estádios eletização, qual sua opinião sobre? 
- Acredito que o Brasil busca isso também, até porque tudo gira em torno do dinheiro, infelizmente. Mas o esporte também é do povo, tem que ser acessível para todas as classes.

Em 2018 em seu primeiro jogo na NQA, qual foi a sensação? 
- Foi o sonho realizado. Além de ter sido um jogo próximo do meu aniversário, fui pé quente, ganhamos de 2 a 0 sobre o Bragantino, pelo campeonato Paulista.

Hoje em dia, qual o sentimento ao ver cada vez mais as mulheres ganhando seu espaço na bancada? 
- Para mim é lindo e satisfatório, também temos o direito de demonstrar amor ao nosso time e estar na bancada apoiando. Anos atrás, a mulher no estádio era mal vista e sofria preconceito, pq o futebol era visto como um esporte para os homens. Nos dias de hoje, tudo tem mudado, o futebol feminino tbm tem ganhado espaço por direito, mas mesmo assim ainda temos muitas coisas para conquistar. 

Hoje em dia assunto chato demais, porém é necessário falar como alerta e mostrar que estamos sempre de olho, tu já passou por algum tipo de assédio que possa comentar? Ou já presenciou? 
- Nunca sofri assédio no estádio, graça a Deus. Mas já presenciei. Me senti muito mal. Não consegui intervir, porém serviu de aprendizado, pq na próxima vez (espero que não tenha) já chego na voadora 🙂


Gabi, para finalizar como você se vee daqui a 10 anos. E quais são seus maiores sonhos hoje??
- Realizada profissionalmente, mudando mais vidas de mulheres, principalmente mulheres pretas, transformando a autoestima de cada uma delas com o meu trabalho, conhecendo cada parte do Brasil e do mundo. Ter uma família formada.


AGRADECIMENTOS: 
Quero agradecer a você por ter iniciado esse projeto incrível com os torcedores corinthianos, a minha amiga Mari maravilhosa que sempre tem me fortalecido dos jogos, foi um prazer imenso ter conhecido ela e meu namorado Victor, por sempre estar me acompanhando nos jogos, sempre tá fechado comigo para qualquer parada. E a todos os meus amigos que o Corinthians me trouxe. Eles são demais 🖤



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