Entrevista com Nanna Marques
Roanna, de onde surgiu todo esse amor pelo Corinthians?
- A gente nasce amando o Corinthians, né? Mas eu ainda tive a sorte de nascer em uma família que tem essa base! Meu pai é Corintiano roxo e fanático e eu tive essa base desde pequena! Ver como ele vivia cada jogo, sentia, torcia e comemorava me despertou para esse lado torcedora! Hoje não imagino a minha vida sem o Corinthians!
Conta um pouco da sua viagem a França?
- No final de 2019 fui fazer um tour pela Europa e acabei conhecendo a França! Foi um dos lugares que mais amei visitar, mas também o que mais chorei. Eu tinha uma bandeira do Corinthians assinada pelo Chicão e todas as viagens que eu fazia, eu levava ela para tirar fotos. Quando estava em Paris, fui à Torre Eiffel e o segurança tomou minha bandeira. Não consegui recuperar e fiquei chateadíssima! Hoje já tenho uma nova bandeira e preciso leva-la para batizar em outros lugares!
Qual sua lembrança mais marcante quando se fala de Corinthians?
Eu tenho bem viva em minha memória alguns momentos que são: Primeira vez que fui ai Pacaembu! – Eu consigo lembrar a sensação que eu senti desde a hora que sai de casa até o final do jogo – e a primeira vez que minha filha entendeu o que era ir a jogos do Corinthians! – Eu amo ser Corinthians e passar todo esse amor para ela.
Agora falando em jogo: acho que o mais marcante para mim foi um que eu não estava no estádio. Foi o Corinthians x Vasco na Libertadores de 2012. Eu tinha acabado de ser mãe, praticamente, e minha prioridade no momento era ficar com a minha filha. Eu assisti ao jogo em pé no meu quarto, enquanto minha filha dormia. Quando o Paulinho fez aquele gol, eu chorei como criança e ali eu tive plena certeza de que seriamos campeões naquele ano!
Mas todo jogo é importante. Acabamos levando momentos em todos eles!
Quem foi a maior influência a amar o Corinthians?
Sem dúvidas nenhuma meu pai! Ele me mostrou, mesmo que sem querer, a essência do que é ser Corinthiano! Ele esteva no presente no título de 77, vivenciou várias loucuras pelo time, viu títulos e me passou todo esse amor que hoje sinto!
Hoje em dia, qual o maior desafio para chegar ao estádio, existe algum medo?
Creio que o desafio maior seja o medo mesmo! Eu nunca presencie ou passei por qualquer situação de risco, mas sempre procuro estar atenta ao caminho e evitar rotas que eu sei que possam me colocar em perigo.
Como você concilia vida pessoal com vida de torcedora?
- Eu vou a todos os jogos que posso! Como tenho uma rotina flexível no trabalho e moro próximo, é tranquilo para mim! Falo para meus amigos que não tem lugar que eu me sinta mais feliz do que estar na Arena (ou em qualquer outro estádio), torcendo e apoiando o Corinthians! Todo dia é dia e todo jogo é jogo!
Hoje em dia a gente ver novos tempos em questão do futebol, o que acha do futebol moderno?
- É complicado! A sensação que eu tenho é que o futebol virou um produto a ser comercializado a qualquer custo! Só olharmos para os preços aplicados nos ingressos hoje em dia! Parece que deixou de ser um esporte do povo para ser elitizado!
Além disso, parece que não vemos mais o “jogar por amor a camisa”. Tudo se resume a um contrato e dinheiro! É triste! Sinto saudades do futebol raiz, do futebol do povo e sem muitas regras!
Qual é a sensação de você poder falar do seu time do coração e como você faz para tratar os hatters?
Qual é a sensação de você poder falar do seu time do coração e como você faz para tratar os hatters?
- Quando falo do Corinthians é de coração e alma! E poder ter essa oportunidade de falar sobre futebol com outras mulheres é indescritível! Quebra barreiras, tabus e alguns preconceitos que, hoje em dia, já não é tão grande! Me sinto muito honrada por fazer o que faço e por participar de um projeto gigante que é o BSF!
Sobre os haters, não tenho hahaha pelo menos nunca tive nenhum problema! Mas se um dia vier a surgir, é saber levar e entender que quando a gente expõe opiniões na internet está sujeito a isso!
Qual a influência do Rap na sua vida?
- Comecei a escutar Rap bem nova. Quando os Racionais lançaram o “Sobrevivendo no Inferno” foi aquele alvoroço! Comecei a escutar outros artistas no colegial e me apaixonei pelo Tupac! Mesmo não sendo o meu lugar de fala, eu aprendi muito com as letras dele! Ele é a minha “fortaleza flow”. Hoje vou a bastantes shows de artistas que eu gosto e admiro e sou muito grata por aprender com algumas letras! Já dizia o Edi Rock: O Rap é hino pra mim!
Com relação ao aumento do público feminino no estádio, o que você acha que ainda falta para aumentar esse público?
- Hoje eu consigo ver uma crescente enorme de mulher no estádio. E isso me deixa com o coração quentinho. Porém, ainda percebo que rola um certo medo. Então cabe a nós, mulheres que frequentam incentivar e mostrar que ali também é o lugar delas, dando o apoio e no lugar que amam!
A gente sabe que o assédio infelizmente ainda se faz presente, já passou por algo parecido? Ou presenciou algo parecido?
- Nunca vivenciei ou presenciei essa situação! E jamais deixaria passar batido se acontecesse comigo ou com qualquer menina que estivesse próximo a mim! Respeita as minas em todo e qualquer lugar!
Em relação às organizadas, nunca teve a intenção de participar de uma?
- Eu amo as organizadas! Para mim, elas são o coração das arquibancadas e do time. É o que move! O que impulsiona!
Já tive sim a vontade de participar, mas sei que não conseguiria me doar como gostaria nos dias de hoje! Mas convivo com o pessoal, frequento o Ponto de Encontro e a quadra e sempre que consigo, vou de norte ou em jogos fora de casa com eles! É uma sensação única e indescritível!
- Eu acho que o problema é a gestão! O Corinthians foi entregue a diretorias que não foram dignas dos cargos que ocupavam. Ganhamos coisas com diretorias passadas, mas perdemos algumas outras. Enquanto não virar a chave e o pessoal querer o novo, infelizmente continuaremos na mesma gestão fraca e falha que temos hoje!
Como é sua rotina em dia de jogos?
- Quando os jogos são durante a semana me condiciono a trabalhar até um horário que seja confortável para ir aos jogos. Costumo encontrar com o pessoal na Alvim antes do jogo e subo junto com a Torcida Organizada para a Arena!
Nos finais de semana já é mais tranquilo. Consigo ajustar meus horários a fim de aproveitar a vibe pré e pós jogo!
Quando os jogos não são na Arena, ai já foge um pouco do usual e é correria! Mas sempre vale a pena!
Quem é a Nana na sua vida pessoal?
- Mãe, doida apaixonada pela vida, viagens e batalhadora! Eu sempre tento extrair o melhor de mim em todos os aspectos da minha vida e sempre tento ver o lado bom das coisas. Isso me motiva a crer e seguir e ser melhor para a minha filha sempre! Sei que tudo vale a pena quando minha filha olha pra mim e fala: Vou ser igual você quando eu crescer!
Você tem alguma superstição em dia de jogos?
- Sim! Algumas! Hahaha Sempre estou com a minha medalha de São Jorge, no estádio ou em casa! E tenho meus mantos certos para usar, dependendo do jogo.
Para finalizarmos, qual conselho você daria para uma menina que está começando a ir em jogos?
- É uma experiência incrível e se você tem essa vontade, se permita! Cante, pule, viva... é o seu momento! Jamais se prive de algo que é de sua vontade fazer por ninguém!
Eu sou suspeita, sou muito realizada acompanhando o Corinthians! Negócio de alma mesmo! E sempre incentivo o máximo as mulheres que têm essa vontade!
Parabéns pela entrevista, tanto entrevistador quanto entrevistada, uma mulher incrível, corintiana e do rap... vai Corinthians!!!
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