Entrevista com a Jornalista Beatriz
A entrevistada de hoje do nosso quadro "minas da arquibancada" será a Beatriz Ribeiro, mais conhecida como Bea. Jornalista que ama frequentar o estádio e seguir seu time do coraçã, ela tem o sonho de ser mãe, Contou para nós como conciliar a vida pessoal e profissional, com a vida de torcedora que sempre vai ao estádio. Passou tantos momentos felizes e tristes nos estádios e traz essas experiências para a gente.
- É a melhor sensação possível. Não tenho como explicar em palavras tudo o que eu sinto quando sinto a energia da torcida pessoalmente.
Qual o momento mais tenso que tu já passou no estádio?
- Foram tantos, principalmente na época do Pacaembu, na série B. Sempre acontecia alguma coisa fora do normal, principalmente briga entre torcidas, que ainda podia torcida visita em clássicos paulista.
Qual a maior alegria que tu já tiveste no estádio?
- Final da libertadores sem dúvida alguma. Foi a sequência de jogos mais feliz da minha vida. Fui em todos, era meu primeiro ano de faculdade e faltava nos jogos que eram em casa, porque precisava viver aquele momento ao extremo.
Como foi para você crescer em solo Palmeirense e ser Corinthiana fanática?
- A família do meu pai é palmeirense e a da minha mãe corintiana, porém as duas famílias se juntaram e sempre foram os melhores momentos, o melhor significado de rivalidade saudável. Meu pai sempre quis que ao menos um dos filhos fosse palmeirense, mas somos dois corintianos e um são paulino. Os derby eram sempre motivo de pesadelo no meu condomínio, porque eu e meu pai sabíamos ser chatos ao extremo de tão fanáticos rs.
Um sonho?
- Ser mãe.
Sonha em cobrir o Corinthians?
- Quando entrei na faculdade meu maior sonho era ser setorista do Corinthians, mas no decorrer da caminhada, você descobre às vezes só não era para ser, que sua história deveria ser diferente. Tive algumas oportunidades de estagiar na área esportiva, mas nenhuma deu certo. Na Band, na época, era estágio não remunerado, apesar de não ter aceitado porque precisava pagar a faculdade, não ter aceitado esse estágio, é um dos meus maiores arrependimentos. Meu amigo, que aceitou, hoje é produtor de esportes do Band Sports. Mas como eu disse, às vezes não era para ser.
Passei em entrevistas também no SBT e na Redetv, porém ambas, por conta da distância, não seria possível aceitar pelo horário da faculdade. Mesmo mudando de turno e de polo, ainda não conseguiria fazer com que os horários batessem, então segui somente em estágios em assessoria de imprensa e em comunicação corporativa.
Um jogo marcante?
- Corinthians x Boca Juniors, dia 04/07/2012. Acho que pra todo corintiano.
O que te chamou atenção para ser corintiana?
- Virei corintiana muito cedo, por influência dos meus primos, não saberia responder isso.
Quais estádios conhece?
Neo Química Arena, Pacaembu, Morumbi, Arena Barueri, Vila Belmiro, Canindé, Ressacada e o antigo Palestra Italia (Parque Antártica).
O que acha das mulheres estarem frequentando mais os estádios, participando de organizadas, indo em caminhada, já está na hora de uma bancada feminina em uma torcida grande?
Eu amo ver mulheres envolvidas com o futebol e lutando em prol daquilo que acreditam, mas não sei se sou a favor de uma bancada formada apenas por mulheres, pelo menos não no Corinthians. Nós somos o famoso “junto e misturado”, não precisa dessa separação, porque temos a sorte das nossas próprias organizadas já valorizarem as mulheres torcedoras.
Como ser imparcial na sua profissão, tendo todo esse amor pelo seu time?
Hoje não trabalho mais na área, então acaba sendo mais tranquilo. Mas creio que sendo repórter, seria bem doloroso, talvez não pudesse ter as minhas tatuagens do Corinthians.
Para você qual a música que toca na alma quando é cantada no estádio?
“A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver Corinthians, pra te ver jogando…”
Sabendo da história do Corinthians, quando anunciaram CUCA, qual seu sentimento?
- Nojo. o Duílio é um completo asno para mim. Trazer esse cara foi inadmissível e bem triste ver os famosos torcedores de radinho, de sofá ou de Twitter, chamar os demais de lacradores, porque nenhuma outra torcida havia causado como nós. Literalmente é o torcedor da era 2012, que não sabe que torce para um time democrático. Tipo o corintiano que é bolsominion. A conta não fecha, sabe?
Muitos torcedores culpam o feminino por conta do protesto que fizeram, porém esqueceram que o somos um time democrata, qual sua opinião?
- Como sempre é a mulher que leva a culpa. Elas deram a cara à tapa e fizeram o que todas nós queríamos, mas não tínhamos o mesmo alcance de voz. Os únicos culpados de todo o ocorrido, são Duílio e Alessandro.
Sobre o time feminino, você acha a gestão da Cris uma das melhores do Corinthians?
- Confesso que não acompanho tanto o time feminino, como deveria, não sei também à respeito da Cris, mas hoje somos um dos maiores nomes no futebol feminino, sempre ganhando títulos e sendo exemplo para que outros grandes clubes também possam dar oportunidades para as meninas.
É a favor do aumento da Neo Química Arena?
- Completamente. O torcedor corintiano merece isso. Talvez, melhore a nossa vida na tentativa de compra de ingresso, mesmo sem ser jogos decisivos. Ali na sul, os ingressos evaporam e olha que sou Fiel Torcedora desde 2010.
A gente viu que você era bem apegada ao seu pai, e podemos deduzir que ele é seu maior influenciador, quando ele partiu pensou em largar tudo em relação ao futebol?
- Em momento algum. Mais do que nunca, me apeguei ao meu amor pelo Corinthians, para seguir em frente, mesmo no período de tratamento do meu pai. Se eu não tivesse tido isso naquele momento, a ansiedade teria me vencido. Quando recebi vídeos dos jogadores me mandando mensagens, o craque Neto falando do meu pai na rádio e dando apoio, fez tudo valer a pena.
Conta um momento com ele, que ficou mais marcado na sua vida?
- Todos. Mas na final da libertadores, que foi em Montevideo, meu pai já estava doente e, quando o palmeiras foi campeão, meu pai chorava e gritava tanto que fiquei desesperada, porque ele começou a passar mal e eu pedia para ele parar, foi quando ele me olhou e disse que, se ele morresse naquele momento, ele morreria feliz por ter visto o time dele campeão mais uma vez e aquilo foi um baque pra mim, porque vai muito além do futebol e só quem vive esse esporte, cai entender do que estamos falando.
E o por que Jornalismo?
- Pelo sonho de ser setorista. Antes mesmo da faculdade eu sonhava e jurava que seria a nova Paloma Tocci, desde o dia que encontrei com ela no Parque São Jorge, cobrindo a chegada do Ronaldo. Tirei uma foto com ela e, além de ser fã incondicional dela, queria ser como ela.
Qual jogador que você mais gosta do elenco, e qual que mais te inspira?
- Do elenco atual gosto muito do Guedes e do Fabio. De for pensar em outros tempos, sem dúvida, foi o André Santos. Sou fã até hoje, mantenho contato com ele até hoje e é uma das melhores pessoas que já conheci na minha vida.
Tirando a NQA, qual melhor estádio que você conheceu?
- O Pacaembu sem dúvidas. Foram tantas histórias e momentos lá.
Um conselho para uma mulher que quer frequentar os estádios brasileiros?
- Vá com o coração aberto para viver os 90 minutos e não por ego de redes sociais.
Um conselho para alguém que quer seguir como jornalista?
- Coragem e coragem. Infelizmente é uma profissão que sem o famoso “quem indica”, você precisa lutar 10x mais.
Qual conselho para uma mulher que quer frequentar as arquibancadas?
Cuidado acima de tudo!
No estádio 99,9% das vezes tudo é perfeito, mas o caminho às vezes nem tanto. Eu que sou da sul e preciso atravessar para a leste, em dia de clássico, se não ficar ligado nas emboscadas, pode acabar caindo em uma fatalidade. Querendo ou não, nós mulheres acabamos sendo um alvo fácil para quem está na maldade.
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